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Pare de decorar soluções no LeetCode: aprenda a pensar como um desenvolvedor

Pare de decorar soluções no LeetCode: aprenda a pensar como um desenvolvedor

Quem está se preparando para entrevistas técnicas provavelmente já ouviu a frase: “faça muito LeetCode”. O problema é que muita gente interpreta isso da forma errada e acaba tentando decorar centenas de soluções.

Na prática, decorar respostas dificilmente ajuda durante uma entrevista. O que os recrutadores e entrevistadores querem avaliar é o seu raciocínio: como você analisa um problema, toma decisões e chega até uma solução.

Foi justamente por isso que mudei minha forma de estudar. Em vez de focar apenas em resolver exercícios, comecei a utilizar cada problema como uma oportunidade para desenvolver lógica, reconhecer padrões e aprender a explicar minhas decisões.

Neste artigo, compartilho o método que estou utilizando para transformar o LeetCode em uma ferramenta de aprendizado, e não apenas em uma coleção de exercícios resolvidos.


1. Entenda o problema antes de programar

Antes de escrever qualquer linha de código, procure responder algumas perguntas:

  • Qual é a entrada do problema?
  • Qual deve ser a saída?
  • Existem casos especiais que precisam ser considerados?
  • Quais são as restrições do exercício?

Depois disso, execute um exemplo manualmente. Esse passo ajuda a visualizar o problema e compreender exatamente o comportamento esperado da solução.


2. Comece pela solução mais simples

Não tente encontrar a solução mais otimizada logo de início.

Primeiro, pense em uma abordagem que funcione, mesmo que ela não seja a mais eficiente. O importante é provar para si mesmo que você entendeu o problema.

Depois, haverá tempo para melhorar o algoritmo.


3. Procure por trabalhos repetidos

Depois de encontrar uma solução funcional, faça uma pergunta simples:

“Estou repetindo alguma operação desnecessariamente?”

Essa reflexão normalmente leva às otimizações.

Em muitos problemas, a resposta está em utilizar uma estrutura de dados mais adequada, como HashMap, Stack, Queue ou Heap.

O objetivo não é decorar essas estruturas, mas entender quando e por que elas resolvem determinado problema.


4. Escreva o algoritmo em português

Antes de implementar em Java, descreva a lógica com suas próprias palavras.

Por exemplo:

Percorrer o array.
Calcular o valor necessário.
Verificar se ele já foi encontrado.
Caso positivo, retornar a resposta.
Caso contrário, armazenar a informação para consultas futuras.

Se você consegue explicar a solução de forma simples, escrever o código passa a ser apenas a tradução dessa lógica.


5. Só depois implemente em Java

Durante a implementação, procure entender o motivo de cada linha de código.

Em vez de apenas escrever, questione-se:

  • Qual é a responsabilidade desta variável?
  • Por que estou utilizando essa estrutura de dados?
  • O que aconteceria se eu removesse este trecho?

Esse hábito fortalece muito mais o aprendizado do que simplesmente reproduzir uma solução pronta.


6. Revise o que aprendeu

Ao finalizar um exercício, faça uma pequena retrospectiva.

Pergunte a si mesmo:

  • Por que essa solução funciona?
  • Qual é sua complexidade de tempo e memória?
  • Eu conseguiria explicar essa solução em uma entrevista?

Se você não consegue explicar a lógica, provavelmente ainda vale a pena revisar o problema.


O que fazer quando travar?

Ficar bloqueado faz parte do aprendizado.

Uma estratégia que gosto de seguir é a regra dos 30 minutos:

  • Tente resolver sozinho por até 30 minutos.
  • Se não conseguir avançar, procure apenas uma dica.
  • Tente novamente.
  • Veja a solução completa somente quando realmente esgotar suas alternativas.

O aprendizado acontece durante a tentativa, e não apenas quando encontramos a resposta.


Depois de ver a solução

Um erro muito comum é pensar:

“Entendi.”

Mas entender enquanto lê é diferente de conseguir resolver sozinho.

Para consolidar o aprendizado:

  1. Feche a solução.
  2. Espere alguns minutos.
  3. Resolva novamente do zero.
  4. Explique cada etapa da lógica em voz alta.

Se você consegue reconstruir a solução sem consultar o código, significa que realmente aprendeu.


Faça revisões periódicas

Resolver um problema apenas uma vez raramente é suficiente.

Uma boa estratégia é revisá-lo em intervalos:

  • Dia 1: primeira resolução.
  • Dia 2: resolver novamente sem consultar.
  • Dia 7: nova revisão.
  • Dia 30: última revisão.

Com o tempo, os padrões deixam de ser decorados e passam a ser reconhecidos naturalmente.


O mais importante: aprenda padrões

Cada problema do LeetCode ensina um padrão que aparece repetidamente em entrevistas técnicas.

Alguns exemplos são:

  • Two Sum → HashMap
  • Valid Parentheses → Stack
  • Merge Intervals → Ordenação
  • Binary Search → Busca Binária
  • Number of Islands → DFS/BFS
  • Top K Frequent Elements → Heap
  • LRU Cache → HashMap + Lista Duplamente Ligada

Perceber esses padrões é muito mais valioso do que decorar centenas de soluções diferentes.


Conclusão

Hoje, vejo o LeetCode como um laboratório para desenvolver uma habilidade muito mais importante do que escrever código rapidamente: resolver problemas de forma estruturada.

Meu ciclo de estudos ficou simples:

  1. Entender o problema.
  2. Resolver utilizando a abordagem mais simples.
  3. Identificar oportunidades de otimização.
  4. Implementar em Java.
  5. Analisar a complexidade.
  6. Revisar o problema alguns dias depois.

No fim das contas, o objetivo não é resolver centenas de exercícios. É construir um raciocínio sólido, reconhecer padrões e conseguir explicar suas decisões com clareza — exatamente o que acontece nas melhores entrevistas técnicas.